Mônica Eulália da Silva Januzzi, Jacqueline Oliveira Moreira, Andréa Máris Campos Guerra, Danielle Teixeira Tavares Monteiro, Viviane Marques Alvim Campi Barbosa, Faedra Vilaça Ramos
Este trabalho consiste em um resultado parcial de pesquisa que investiga o fenômeno do feminicídio à brasileira, a partir de reverberações coloniais e heranças estruturais. O estudo interroga o estatuto do amor, evocado pelo homem agressor na cena do feminicídio, entendendo-o como um amor narcísico, produto da identificação masculino-normativa ao Ideal do Eu colonial-patriarcal. Numa perspectiva psicanalítica e decolonial, o corpo da mulher, no contexto do feminicídio à brasileira, é analisado como objeto de dominação e violência, produzido em um contexto discursivo simbólico que naturaliza a misoginia atavés de como heranças coloniais que participam da construção da identidade masculino-normativo-colonial. A metodologia utilizada foi a das Narrativas Memorialísticas, através da qual buscou-se escutar mulheres sobreviventes do feminicídio. Os elementos que resultam deste estudo permitem inferir, entre outros aspectos, que a violência colonial que se impõe no processo de colonização de um país, tal como o Brasil, pode reverberar nas relações de gênero que alimentam a misoginia e o feminicídio.