Beatriz Lages Pontes, Ana Matilde Menezes Melik Schramm, Rubens Avelino dos Santos, Liliane Coelho da Rocha
Estudos mostram que portadores de doença renal crônica (DRC) submetidos à hemodiálise apresentam-se mais suscetíveis a quadros de infecção por parasitos, uma vez que a presença destes é influenciada diretamente pela resposta imunitária do hospedeiro. Além disso, pesquisas recentes apontam que infecções em geral representam a segunda maior causa de morte nos pacientes em estágio final de doença renal. No entanto, apesar de sua importância, ainda são poucos os trabalhos que correlacionem a temática. Sendo assim, este estudo teve por objetivo definir a ocorrência de agentes parasitários intestinais em pacientes no tratamento de hemodiálise em uma clínica de diálise em Manaus-AM. Para isso, foram coletadas amostras fecais de 38 pacientes, a fim de investigar, pelo método de sedimentação espontânea, os parasitos intestinais mais prevalentes nesse grupo. As análises demonstraram a presença de apenas 15.8% (6/38) de ovos e/ou cistos de parasitos, correspondendo às espécies Endolimax nana, Entamoeba coli, Giardia lamblia e Iodamoeba butschlii na população estudada. Acredita-se que, devido a esta pesquisa ocorrer em um período de transição pandêmica, o uso indiscriminado de antiparasitários pode ter contribuído consideravelmente para essa diminuição. Apesar disso, são necessários novos estudos compreendendo a relação entre a ausência de parasitos neste público e sua influência no sistema imune a longo prazo, visando melhor compreensão deste tema e doenças associadas, cujo objetivo é facilitar a construção de um raciocínio clínico conciso, uma conduta adequada e um prognóstico correto, a fim de reduzir a morbimortalidade nessa população.