Gleice Luzane Conde Lima, Raquel da Silva Luz, Wanderson Cleyton dos Santos Vieira, Mariele Pereira de Sousa, Heloisa dos Santos Quadros, Silvana Gomes dos Santos
Os bioinsumos referem-se a insumos de origem biológica, ou seja, produtos derivados de organismos vivos ou seus componentes, utilizados na agricultura para diversas finalidades. Eles desempenham um papel fundamental no fortalecimento da agricultura familiar, promovendo práticas mais sustentáveis e acessíveis. No estado do Pará, observa-se ainda um acesso limitado aos bioinsumos, aliado a pouco incentivo e conhecimento sobre sua utilização e a legislação pertinente. Este cenário apresenta desafios significativos, especialmente para agricultores familiares, que muitas vezes carecem de informações e recursos para adotar essas práticas. Diante dessa realidade, o presente trabalho visa facilitar o acesso à informação sobre bioinsumos para agricultores familiares. A pesquisa realizou um diagnóstico participativo com agricultores da Feira da Agricultura Familiar de Bragança (Pará) e propôs ações que estimulem a produção e o uso de bioinsumos. A pesquisa foi conduzida no Instituto Federal do Pará – Campus Bragança-PA e na Feira da Agricultura Familiar do município de Bragança, em parceria com a comissão organizadora da Feira e agricultores familiares cadastrados. O estudo possui um caráter qualiquantitativo, baseando-se em uma abordagem de pesquisa-ação e diagnóstico participativo. Para isso, foram realizadas entrevistas semiestruturadas, coletivas e individualizadas com os agricultores. A feira reúne 40 agricultores familiares cadastrados de 19 comunidades da região bragantina, dos quais 14 participaram da pesquisa. Os resultados mostram que 57% dos agricultores não possuem conhecimento prévio sobre bioinsumos. Após a formação, aproximadamente 92% dos agricultores relataram um nível elevado de conhecimento. Observou-se que os bioinsumos mais comumente utilizados são a compostagem (43%), os biofertilizantes (14%) e os biodefensivos (7%). Por outro lado, a principal razão para a não utilização dessas técnicas está associada à falta de conhecimento (43%). Conclui-se que essa pesquisa contribuiu para o fortalecimento da agricultura familiar por meio da troca de experiências e conhecimentos. Além disso, as tecnologias apresentadas auxiliam no processo de transição agroecológica, promovendo o desenvolvimento sustentável da região.