A população carcerária do Nordeste brasileiro enfrenta elevada vulnerabilidade a doenças infectocontagiosas devido às precárias condições estruturais das unidades prisionais. A insalubridade e a superlotação facilitam a propagação de enfermidades como tuberculose, HIV, hanseníase e hepatites, evidenciando a incapacidade do sistema prisional em assegurar padrões mínimos de saúde. Este estudo busca caracterizar o perfil sociodemográfico e a prevalência de doenças infecciosas entre pessoas privadas de liberdade (PPLs) na região Nordeste, considerando variáveis como idade, gênero e raça. Trata-se de uma pesquisa transversal, epidemiológica e descritiva, baseada em análise retrospectiva de dados coletados entre 2019 e 2023. As informações foram extraídas do Departamento Penitenciário Nacional (INFOPEN) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), abrangendo dados sobre a população carcerária e geral, incluindo número de detentos, características sociodemográficas e prevalência de doenças. Também foram analisados dados sobre atendimento médico, consultas e exames realizados nas unidades prisionais. A análise estatística foi conduzida no SPSS versão 20.0, utilizando médias, proporções, taxas ajustadas, razão de prevalência (RP) e de riscos (RR). Os resultados mostram que a população carcerária nordestina é majoritariamente masculina, jovem (18 a 29 anos), de cor parda e com baixa escolaridade. As maiores prevalências foram de tuberculose e HIV, sobretudo em Pernambuco e Bahia. A carência de profissionais de saúde nas unidades prisionais agrava a vulnerabilidade dos detentos, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde prisional.