Juliana Baptista Simões, Júlia Ozório Teixeira, Vanessa Pontes de Lima, Jéssica Rohem Gualberto Creton
A Lei 10639/03 determina a obrigatoriedade do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira em todo currículo da educação básica. No entanto, na prática, a lei não está sendo cumprida em sua totalidade pois acredita-se que as Ciências Exatas não devem se apropriar dessa temática. Para além do cumprimento da lei, a escola deve propor melhorias nos currículos, materiais didáticos e metodologias para tornar o processo de ensino-aprendizagem mais inclusivo para todas as culturas e crenças, permitindo o debate de assuntos como intolerância religiosa e racismo. Por isso, o objetivo deste trabalho foi realizar uma intervenção didático-pedagógica nas aulas de Química, inserindo discussões sobre a cultura e as religiões de matrizes africanas através do uso de plantas medicinais utilizadas no Candomblé. A abordagem metodológica proposta foi uma sequência didática organizada em três encontros. Realizou-se uma entrevista problematizadora sobre plantas medicinais, seguida de uma aula prática no laboratório de química e seminários apresentados pelos estudantes sobre as propriedades fitoquímicas das plantas, ao final da sequência foi aplicado um questionário diagnóstico. Com a proposta foi possível desenvolver material didático que correlaciona a química com as questões étnico-raciais. Os resultados obtidos através do questionário demonstraram que os alunos aprovaram a metodologia e afirmaram que abordar o uso de plantas medicinais aumentou o interesse nas aulas de química orgânica.