Este artículo examina la masacre del 1 de julio de 1992 de 18 hombres indígenas y el corte de cabello simultáneo a sus mujeres y/o parientes femeninas cometido por Sendero Luminoso en el pueblo andino de Huamanquiquia (provincia de Fajardo, región de Ayacucho). En base a relatos de primera mano de insurgentes maoístas y mujeres indígenas, estos eventos se enmarcan en un estudio de caso local de atrocidad de género que fue experimentada de manera diversa por hombres y mujeres, centrándose en la violencia simbólica del corte de cabello. Si bien esta atrocidad refleja algunos patrones bien conocidos observados en otros conflictos armados, la misma está determinada por dos factores clave específicos de tiempo y lugar: primero, interpretaciones particulares de la significación del cabello dentro de cosmologías andinas más amplias; y segundo, las tensiones dentro del movimiento Sendero Luminoso en un momento clave de la guerra. Muestro cómo los insurgentes andinos conocían las dimensiones simbólicas del corte de cabello, un crimen contra la integridad del cuerpo–alma humano (que según la cosmovisión andina se entiende que provoca sufrimiento sin fin en el viaje al más allá), pero les restaban importancia. Desde este punto de vista, el corte del cabello significó la mutilación de la integridad física de las mujeres con implicaciones psicológicas, sociales y de género.
Este artigo examina o massacre de 18 homens indígenas em 1 de julho de 1992 e o simultâneo corte de cabelo de suas mulheres e/ou parentes do sexo feminino cometido pelo Sendero Luminoso na aldeia andina de Huamanquiquia (província de Fajardo, região de Ayacucho). Com base nos relatos em primeira mão dos insurgentes maoístas e das mulheres indígenas, apresento esses eventos como um estudo de caso local de atrocidade de gênero que foi vivenciada de forma diferente por homens e mulheres, com foco na violência simbólica do corte de cabelo. Embora essa atrocidade reflita alguns padrões bem conhecidos observados em outros conflitos armados, ela é moldada por dois fatores principais específicos da época e do local: primeiro, entendimentos particulares da significação do cabelo dentro de cosmologias andinas mais amplas; segundo, tensões dentro do movimento Sendero Luminoso em um momento importante da guerra. Eu mostro como os insurgentes andinos conheciam as dimensões simbólicas do corte de cabelo, um crime contra a integridade do corpo e da alma humana – um crime que, na visão de mundo andina, provoca sofrimento sem fim na jornada após a morte, mas eles as minimizavam. Desse ponto de vista, o corte de cabelo significava a mutilação da integridade física das mulheres com implicações psicológicas, sociais e de gênero.
This article examines the 1 July 1992 massacre of 18 Indigenous males and the concurrent cutting off of the hair of their wives and/or female kin carried out by the Shining Path in the Andean village of Huamanquiquia (Fajardo province, Ayacucho region). Based on first-hand accounts of the Maoist insurgents and the Indigenous women, I frame these events as a local case study of gendered atrocity that was experienced differently by men and women, focusing on the symbolic violence of haircutting. While this atrocity reflects some well-known patterns seen in other armed conflicts, it is shaped by two key factors specific to the time and place: first, particular understandings of the significance of hair within broader Andean cosmologies; second, tensions within the Shining Path movement at a key juncture in the war. I show that the Andean insurgents knew about the symbolic dimensions of haircutting, a crime against the integrity of the human body–soul – one understood to cause endless suffering in the journey to the afterlife in the Andean worldview – but they underplayed them. From this viewpoint, haircutting meant the mutilation of women’s physical integrity, with psychological, social and gender implications.