El endeudamiento es una estrategia histórica de acumulación por desposesión y adopta rasgos singulares en el capitalismo contemporáneo. Desde los años setenta, el modelo de acumulación financiera global generó mayor concentración del ingreso, caída de los salarios reales y deterioro de las condiciones laborales, afectando al conjunto de personas que viven de su trabajo y especialmente a los cuerpos racializados, LGBTQ+, y feminizados. En Argentina, bajo esquemas de endeudamiento con el Fondo Monetario Internacional, la crisis de ingresos y la pauperización de la fuerza de trabajo se contuvo mediante políticas socioasistenciales, transferencias de ingresos y accesibilidad financiera. Este proceso amplió la precariedad, en tanto una parte de la población pasó a depender de estas transferencias y del endeudamiento para subsistir, mientras el sector financiero amplía su capilaridad incorporando a estos sectores dentro de sus carteras. La investigación presenta la relación entre el modelo de acumulación financiero global, el endeudamiento externo de Argentina y las políticas de austeridad; luego sus efectos en el mercado laboral y en la pauperización de su población; y, finalmente, se analizan los programas de transferencias de ingresos hacia estas poblaciones y el proceso de financiarización de la asistencia en Argentina.
O endividamento é uma estratégia histórica de acumulação por despossessão e assume características singulares no capitalismo contemporâneo. Desde os anos 1970, o modelo de acumulação financeira global gerou maior concentração de renda, queda dos salários reais e deterioração das condições de trabalho, afetando o conjunto das pessoas que vivem do próprio trabalho — especialmente os corpos racializados, LGBTQ+ e feminizados. Na Argentina, sob esquemas de endividamento com o Fundo Monetário Internacional, a crise de renda e a pauperização da força de trabalho foram contidas por meio de políticas de assistência social, transferências de renda e ampliação do acesso ao crédito. Esse processo aprofundou a precariedade, à medida que parte da população passou a depender dessas transferências e do endividamento para sobreviver, enquanto o setor financeiro expandiu sua capilaridade ao incorporar esses grupos às suas carteiras. A pesquisa apresenta a relação entre o modelo de acumulação financeira global, o endividamento externo da Argentina e as políticas de austeridade; em seguida, analisa seus efeitos no mercado de trabalho e na pauperização da população; e, por fim, examina os programas de transferência de renda voltados a esses grupos e o processo de financeirização da assistência social na Argentina.
Indebtedness is a historical strategy of accumulation by dispossession and takes on particular characteristics in contemporary capitalism. Since the 1970s, the global financial accumulation model has generated greater income concentration, declining real wages, and deteriorating labour conditions, affecting all those who live off their labour—especially racialized, LGBTQ+, and feminized bodies. In Argentina, under debt arrangements with the International Monetary Fund, the income crisis and the pauperization of the labour force were contained through social assistance policies, income transfers, and financial accessibility. This process deepened precarity, as a portion of the population came to rely on these transfers and on indebtedness to survive, while the financial sector expanded its reach by incorporating these groups into its portfolios. This research explores the relationship between the global financial accumulation model, Argentina’s external debt, and austerity policies; then examines their effects on the labour market and the pauperization of the population; and finally analyses income transfer programs targeting these populations and the process of financialization of social assistance in Argentina.