Argentina
Los espacios, entendidos como construcciones sociales y materiales, generan sentidos en las personas que los circulan. Analizando dos complejos industriales que se ubican en el sudeste bonaerense, este artículo aborda cómo se construyen, dentro de las mismas empresas, espacios opuestos que están modelados por sentidos de clase y género. Se refiere a estos espacios como la “planta” de producción y el “sector de oficinas” y serán analizados a partir de dos figuras que condensan los sentidos de cada uno: los/as operarios/as y los/as ingenieros/as. A lo largo del análisis, se expone la forma en que los sentidos que conforman el espacio, atraviesan el cuerpo de las y los trabajadores. Así, la movilidad corporal, el comportamiento y el trabajo emocional varía en las y los trabajadores de uno y otro espacio, configurando un espacio más masculinizado (planta) y otro más feminizado (oficinas). Para esto, se parte de las experiencias de mujeres que se insertaron en espacios industriales masculinizados. Como han sugerido diversos autores, las instituciones tienen género (Messerschmidt, 1996; Wajcman, 2006), por lo que, poner la mirada en cuerpos que no estuvieron socializados ni habituados en la circulación de estos lugares arroja luz sobre la forma en que estos cuerpos, una vez que se insertaron, son modelados por estos espacios y viceversa. El artículo se basa en el análisis de entrevistas a operarias/os, ingenieras y en observaciones realizadas en los complejos industriales analizados.
Os espaços, entendidos como construções sociais e materiais, geram sentidos nas pessoas que os percorrem. Ao analisar dois complexos industriais localizados no sudeste de Buenos Aires, este artigo discute como as mesmas empresas constroem espaços opostos moldados por sentidos de classe e gênero. Esses espaços são referidos como "planta de produção" e "setor de escritórios" e serão analisados a partir de duas figuras que condensam os sentidos de cada um: os operários e as operárias, por um lado, e os engenheiros e as engenheiras, por outro. Ao longo da análise, é exposta a forma como os sentidos que constituem o espaço atravessam o corpo dos trabalhadores.
Assim, a mobilidade corporal, o comportamento e o trabalho emocional variam entre os trabalhadores de um e outro espaço, configurando um ambiente mais masculinizado (planta) e outro mais feminizado (escritórios). Para isso, parte-se das experiências de mulheres que ingressaram em espaços industriais masculinizados. Como sugerem diversos autores, as instituições têm gênero (Messerschmidt, 1996; Wajcman, 2006), e observar corpos que não foram socializados nem habituados à circulação nesses espaços lança luz sobre como esses corpos, uma vez inseridos, são moldados por esses espaços e vice-versa. O artigo baseia-se na análise de entrevistas com operários e operárias, engenheiros e engenheiras, e em observações realizadas nos complexos industriais analisados.
Spaces, understood as both social and material constructs, imbue the individuals who interact with them with meaning. This article examines two industrial complexes in the south-east of Buenos Aires, exploring how contrasting spaces within the same companies are shaped by notions of class and gender. These spaces are identified as the 'production plant' and the 'office sector' and are analysed through two figures that encapsulate their respective meanings: the operators and the engineers. The analysis shows how the senses embedded in these spaces affect the workers' bodies. As a result, mobility, behaviour and emotional labour vary between workers in these environments, creating a more masculinised space (the factory) and a more feminised space (the office). To do this, the study draws on the experiences of women who have entered masculinised industrial spaces. As various scholars have argued, institutions are gendered (Messerschmidt, 1996; Wajcman, 2006), highlighting that studying bodies that are not socialised or accustomed to navigating such spaces reveals how these bodies, once integrated, are shaped by - and in turn shape - the spaces. This article is based on an analysis of interviews with operators and engineers, as well as observations made in the industrial complexes under study.