O presente artigo traz em sua proposta uma investigação a respeito das apropriações filosóficas que conferiram à matemática o seu caráter singular e incremental do conhecimento. Propondo um recorte das contribuições das obras de Platão e de René Descartes, pensadores que reconheceram e potencializaram o valor epistemiológico na matemática, este trabalho confere uma relação entre contribuições no campo da filosofia com a matemática e como esta relação ainda é preservada na formação do currículo da educação básica brasileira. Demonstra-se como Platão vislumbrou na Matemática o instrumento ideal para a ascese da alma em direção ao Mundo das Ideias, enquanto Descartes formalizou um método de investigação baseado na clareza, na análise e na ordem racional, espelhando o procedimento de demonstração matemática. Seguindo neste contexto investigativo, a argumentação segue criando um paralelo entre o legado filosófico-metodológico e a criação dos documentos dos Parametros Curriculares Nacionais (PCNs) e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), desvendando como estes traduzem os princípios filosóficos numa estrutura pedagógica pautada na progressão sistemática do conhecimento matemático.