Este artigo investiga as concepções de professores de Química da Educação Básica sobre a abordagem Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA) e suas implicações pedagógicas. O estudo fundamenta-se em referenciais que defendem uma educação científica crítica e humanística (Santos, 2008), a superação do ensino restrito à memorização por meio da problematização e da interdisciplinaridade (Auler; Delizoicov, 2006; Auler; Bazzo, 2001) e a compreensão do currículo como espaço de formação cidadã (Pedretti; Nazir, 2011). Também se apoia na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2018), que orienta a articulação entre conceitos químicos e problemáticas sociais e ambientais. De natureza qualitativa, a pesquisa utilizou entrevistas narrativas com cinco professores da rede estadual que mais receberam estagiários, visando compreender suas trajetórias formativas e práticas de sala de aula. Os resultados apontam compreensão limitada da abordagem CTSA, em geral construída de forma autodidata, embora práticas relacionadas a ela ocorram de modo intuitivo. Os relatos destacam obstáculos como sobrecarga curricular, redução da carga horária de Química no Novo Ensino Médio e ausência de políticas de formação voltadas à interdisciplinaridade. Por outro lado, revelam o potencial da perspectiva CTSA, especialmente quando integrada à BNCC, para tornar o ensino mais contextualizado, crítico e relevante. Conclui-se que fortalecer a formação inicial e continuada é essencial para consolidar práticas significativas no ensino de Química.