Colombia
Desde un abordaje de la familia como dispositivo privilegiado de formación y gobierno en la modernidad occidental, se examinan diferencias y regularidades en las prescripciones acerca de la formación de sujetos económicos en textos dirigidos a la familia en Europa y Colombia del siglo xv a la segunda década del xix. Estos textos hacen parte de tres acontecimientos discursivos: el nacimiento del tratado moderno de formación de la familia en el siglo xv; la cristianización y civilización de estos tratados en los siglos xvi y xvii; y la intensificación de la formación económica de las esposas y las familias pobres desde las últimas décadas del siglo xviii. Se destaca el que probablemente es el primer tratado de formación de la familia moderna, I libri della famiglia del florentino Leon Battista Alberti, escrito entre 1434 y 1437, de una manera menos disciplinaria y dogmática que los textos posteriores, puso en juego buena parte de los asuntos que recurrirían en estos. Entre otros hallazgos de interés, se señala, de una parte, cómo la formación en economía doméstica se asocia a una serie de virtudes por formar en el ama de casa, el sujeto central de la economía doméstica, en cuanto a las prácticas de cálculo y las de vigilancia de sí, de los otros y de los bienes. De otra parte, está la identificación que se establece entre moral y economía que, entre otros efectos, lleva al encierro de las amas de casa en el hogar.
Approaching the family as a privileged mechanism of formation and governance in Western modernity, this study examines differences and commonalities in the prescriptions concerning the economic training of individuals in texts directed at families in Europe and Colombia from the 15th century to the second decade of the 19th century. These texts are part of three major discursive events: the birth of the modern family formation treatise in the 15th century; the Christianization and civilizing of these treatises in the 16th and 17th centuries; and the intensification of economic training for housewives and poor families from the late 18th century onwards. Notably, one of the earliest modern family formation treatises is highlighted, I libri della famiglia by the Florentine Leon Battista Alberti, written between 1434 and 1437, in a less disciplinary and dogmatic manner than later texts, addressed many of the issues that would reappear in subsequent works. Among the key findings, the study points to the association between domestic economy formation and a series of virtues to be developed in the housewife, the central figure of domestic economy, particularly regarding calculation practices and self-surveillance as well as the surveillance of others and household goods. Additionally, the identification between morality and economy among other effects, resulted in the confinement of housewives to the domestic sphere.
A partir de uma abordagem que vê a família como um dispositivo privilegiado de formação e governo na modernidade ocidental, examinam-se diferenças e regularidades nas prescrições sobre a formação de sujeitos econômicos em textos direcionados à família na Europa e na Colômbia, do século xv à segunda década do século xix. Esses textos fazem parte de três acontecimentos discursivos: o nascimento do tratado moderno de formação da família no século xv; a cristianização e civilização desses tratados nos séculos xvi e xvii; e a intensificação da formação econômica das esposas e das famílias pobres a partir das últimas décadas do século xviii. Destaca-se aquele que provavelmente é o primeiro tratado de formação da família moderna, I libri della famiglia, do florentino Leon Battista Alberti, escrito entre 1434 e 1437, de forma menos disciplinar e dogmática que os textos posteriores, abordou grande parte dos temas que reapareceriam mais tarde. Entre outros achados de interesse, o estudo aponta, por um lado, como a formação em economia doméstica está associada a uma série de virtudes a serem cultivadas na dona de casa, figura central da economia doméstica, especialmente nas práticas de cálculo e vigilância de si mesma, dos outros e dos bens. Por outro lado, está a identificação que se estabelece entre moral e economia, o que, entre outros efeitos, leva ao confinamento das donas de casa ao lar.