Os acidentes com aranhas representam um importante agravo à saúde pública no Brasil, especialmente em estados com clima tropical como Pernambuco. O presente estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico dos acidentes causados por aranhas em Pernambuco entre os anos de 2015 e 2024. Trata-se de uma pesquisa quantitativa e descritiva, com dados extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), por meio da plataforma TabNet/DataSUS. Foram consideradas variáveis como idade, sexo, cor/etnia das vítimas, gravidade dos casos, evolução clínica e gênero das aranhas envolvidas. Ao todo, foram registrados 3.190 acidentes no período, sendo o gênero Loxosceles o mais prevalente (10,22%), seguido de Phoneutria (6,14%) e Latrodectus (4,08%). Os casos classificados como leves foram maioria, embora também tenham sido registrados acidentes moderados e graves, principalmente entre crianças e idosos. A taxa de incidência apresentou tendência crescente, passando de dois para quatro casos por 100.000 habitantes ao longo da série histórica. A análise demonstrou que os homens foram os mais afetados, e que indivíduos pardos representaram 67% das vítimas. As faixas etárias mais atingidas foram de 0 a 10 anos e de 20 a 39 anos. Conclui-se que os acidentes com aranhas no estado refletem um problema multifatorial, que envolve desigualdades sociais, urbanização desordenada, degradação ambiental e falhas no acesso à informação e aos serviços de saúde. Tais achados reforçam a necessidade de políticas públicas intersetoriais para prevenção, diagnóstico precoce, capacitação profissional e ampliação da cobertura assistencial.