El artículo busca reconstruir algunas narrativas teóricas sobre la condición del desarraigo social, articuladas en torno al concepto de tránsfuga de clase. Con este objetivo, se repasan las contribuciones de cinco autores de los siglos XX y XXI, originarios de diferentes escuelas, disciplinas, marcos teóricos y coyunturas políticas: Richard Hoggart y su conceptualización del síndrome del becario; Raymond Williams y la distancia como medio para la reconciliación con el lugar de origen; Pierre Bourdieu y la teoría del habitus escindido; Annie Ernaux y su teoría de la etnología de sí misma; Didier Eribon y su conceptualización de la vergüenza social. Desde el método deductivo, ahondamos en su condición de tránsfugas de clase articulándolo con el contexto histórico de producción de sus obras, que les compromete a relatar, a partir de sus propias experiencias, en una relación dialéctica entre las estructuras sociales y su subjetividad, la cultura de los dominados. El artículo propone una discusión entre estos autores e incorpora algunas apreciaciones sobre dos pensadores contemporáneos provenientes de cada una de las disciplinas, Mark Fisher y Édouard Louis. En esta discusión se destacan dos proyectos que partiendo de un lugar común, el desarraigo social experimentado en sus biografías, proponen unas coordenadas de lectura de la cultura de origen, la cultura popular, enormemente diferentes a partir de una lectura diversa sobre el significado de la clase social. El artículo concluye proponiendo la síntesis de estos ejemplos como punto de partida para comprobar qué hay de novedoso en el auge de esta problemática en nuestro presente.
O artigo procura reconstruir algumas narrativas teóricas sobre a condição de desenraizamento social, articuladas em torno do conceito de desertor de classe. Para isso, revisamos as contribuições de cinco autores dos séculos 20 e 21 de diferentes escolas, disciplinas, marcos teóricos e conjunturas políticas: Richard Hoggart e sua conceptualização da síndrome do erudito; Raymond Williams e a distância como meio de reconciliação com o lugar de origem; Pierre Bourdieu e a teoria do hábito dividido; Annie Ernaux e sua teoria da etnologia do eu; Didier Eribon e sua conceptualização da vergonha social. Usando o método dedutivo, mergulhamos em sua condição de desertores de classe, articulando-a com o contexto histórico de produção de suas obras, o que os compromete a narrar, a partir de suas próprias experiências, numa relação dialética entre as estruturas sociais e sua subjetividade, a cultura dos dominados. O artigo propõe uma discussão entre estes autores e incorpora algumas idéias em dois pensadores contemporâneos de cada uma das disciplinas, Mark Fisher e Édouard Louis. Nesta discussão, destacamos dois projetos que, partindo de um lugar comum, o desenraizamento social experimentada em suas biografias, propõem coordenadas muito diferentes para a leitura da cultura de origem, a cultura popular, baseada em uma leitura diferente do significado de classe social. O artigo conclui propondo uma síntese destes exemplos como um ponto de partida para ver o que há de novo no surgimento desta problemática em nossos dias.
The article seeks to reconstruct some theoretical narratives on the condition of social uprooting, articulated around the concept of declassed. To this end, it reviews the contributions of five 20th and 21st century authors from different schools, disciplines, theoretical frameworks, and political junctures: Richard Hoggart and his conceptualization of the scholar syndrome; Raymond Williams and distance as a means of reconciliation with the place of origin; Pierre Bourdieu and the theory of the habitus clivé; Annie Ernaux and her theory of the ethnology of the self; Didier Eribon and his conceptualization of social shame. From the deductive method, we delve into their condition of declassed by articulating it with the historical context of production of their works, which commits them to relate, from their own experiences in a dialectical relationship between social structures and their subjectivity, the culture of the dominated. The article proposes a discussion among these authors and incorporates some insights on two contemporary thinkers from each of the disciplines, Mark Fisher and Édouard Louis. In this discussion, we highlight two projects that starting from a common place, the social uprooting experienced in their biographies, propose reading coordinates of the culture of origin, the popular culture, enormously different from a diverse reading on the meaning of social class. The article concludes by proposing the synthesis of these examples as a starting point to verify what is new in the rise of this problem in our present.