O presente artigo tem como objetivo analisar os desafios e as tensões que permeiam o atendimento escolar de alunos surdos, à luz das dicotomias entre o ideal preconizado pelas políticas de inclusão e o real observado nas práticas cotidianas. Fundamentado em uma abordagem qualitativa de natureza teórico-analítica, realizamos uma revisão do estado da arte, tomando como base produções nacionais e internacionais publicadas entre 2019 e 2024. O referencial teórico articula discussões sobre educação bilíngue, inclusão escolar e os direitos linguísticos da comunidade surda. As análises revelam que, embora haja avanços no campo das políticas públicas e nas práticas pedagógicas, persistem desafios significativos, como a escassez de profissionais qualificados, a fragilidade na implementação da Libras como primeira língua e a resistência institucional frente à efetiva inclusão linguística e cultural. Concluímos que a superação dessas barreiras demanda não apenas investimentos em formação docente e infraestrutura, mas, sobretudo, uma mudança de paradigma que reconheça a surdez como expressão de uma diferença sociolinguística, e não como deficiência. Os achados contribuem para aprofundar os debates sobre práticas pedagógicas inclusivas, formação de professores e construção de políticas educacionais mais sensíveis à diversidade surda.