Eduardo Nunes Silva, Maria José Moraes Nunes, Rosangela Viera Batista, Mara Luane dos Santos Souza, Luciana Bastos Almeida, Wilza Lemos Privado
O presente artigo propõe uma análise crítica sobre a constituição do ensino de Ciências na educação brasileira, articulando a história e filosofia da ciência com os aportes da epistemologia bachelardiana. Parte-se da compreensão de que o percurso histórico do ensino científico no Brasil foi marcado por tensões entre tradições formativas, influenciadas por paradigmas religiosos e positivistas, e as rupturas epistemológicas necessárias à construção de uma prática educativa crítica e emancipatória. A partir de uma abordagem teórico-analítica, discutem-se os fundamentos históricos que estruturaram o ensino de Ciências sob perspectivas fragmentadas, tecnicistas e desprovidas de reflexão epistemológica. Em seguida, explora-se a contribuição de Gaston Bachelard, especialmente o conceito de obstáculo epistemológico, como elemento estruturante para repensar a prática pedagógica. A análise evidencia a importância de uma ruptura com o senso comum, da valorização do erro como parte constitutiva do processo formativo e da atuação docente como mediação epistemológica. O artigo apresenta, ainda, implicações pedagógicas que emergem dessa perspectiva crítica, reafirmando a necessidade de uma educação científica capaz de formar sujeitos autônomos e reflexivos. Conclui-se que a articulação entre história da ciência e epistemologia crítica constitui uma via potente para a reconfiguração do ensino de Ciências em direção à formação científica significativa, contextualizada e transformadora.