Larissa Silva Mascarenhas, Ana Luiza Monteiro de Sousa, Eric Araújo Bortoncello, Enzo Gasparelo Santi, Ana Raquel Mendes Batista, Marcus Vinicius Cardoso Matos Silva
Introdução: A anemia falciforme é uma das hemoglobinopatias hereditárias mais prevalentes mundialmente, afetando de forma desproporcional populações afrodescendentes. Embora políticas públicas de triagem neonatal estejam implementadas em diversos países, o traço falciforme ainda é frequentemente diagnosticado de maneira tardia, o que acarreta implicações clínicas, psicossociais e reprodutivas frequentemente negligenciadas. Objetivo:Analisar as implicações do diagnóstico tardio do traço falciforme em contextos de vulnerabilidade social, considerando distintas realidades geográficas, com ênfase nas consequências clínicas e sociais e nas lacunas nos serviços de atenção primária à saúde. Métodos:Realizou-se uma revisão sistemática com buscas nas bases PubMed, SciELO, LILACS e Google Acadêmico, utilizando palavras-chave em português, inglês e espanhol. Foram incluídos estudos publicados entre 2015 e 2025. A seleção seguiu as diretrizes PRISMA, com triagem por título, resumo e leitura integral dos textos elegíveis. Resultados:A busca inicial identificou 198 registros. Após as exclusões por critérios temporais, ausência de texto completo, duplicidade e inadequação temática, 19 estudos originais foram incluídos na síntese. As evidências apontam falhas persistentes na detecção precoce do traço falciforme, desconhecimento entre profissionais de saúde e escassez de ações sistematizadas de aconselhamento genético. As desigualdades no acesso à informação e à atenção básica revelaram-se mais acentuadas em populações socialmente vulneráveis de diferentes países.Conclusão:O diagnóstico tardio do traço falciforme representa um desafio transversal a múltiplos sistemas de saúde. Torna-se imprescindível o fortalecimento de políticas públicas, a capacitação de profissionais e a inclusão do traço falciforme como condição prioritária nas estratégias de prevenção e promoção da equidade em saúde.