Alice Cristina Sarmento Gonçalves
Este artigo analisa criticamente os impactos das reformas educacionais neoliberais na saúde física e mental dos professores da rede pública estadual do Paraná. A partir de uma revisão de literatura e análise de documentos públicos, notícias jornalísticas e dados sindicais, investiga-se como a lógica gerencialista, centrada em metas, controle e desempenho, tem contribuído para o colapso da saúde docente. O estudo destaca os efeitos psicossociais do modelo tecnocrático de gestão escolar, com ênfase na intensificação do trabalho, desvalorização simbólica da profissão e desmonte das disciplinas humanísticas. Casos recentes de morte de professoras durante o expediente escolar são discutidos como manifestações extremas de um adoecimento estrutural. O texto também articula uma crítica teórica ao esvaziamento da função crítica da escola e defende a necessidade de resistência pedagógica e reconstrução de políticas públicas orientadas por princípios democráticos e humanizadores. A pesquisa conclui que a saúde dos docentes é um indicador central da vitalidade da escola pública e da própria democracia, sendo urgente reverter a mercantilização da educação e promover condições dignas de trabalho.