As neurotoxinas presentes nas peçonhas de serpentes interferem em alvos moleculares específicos, comprometendo a transmissão sináptica e a excitabilidade neuronal. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo investigar os efeitos neurotóxicos das peçonhas dos gêneros Crotalus e Micrurus sobre o sistema nervoso, com foco na caracterização dos mecanismos de ação e na identificação de potenciais alvos terapêuticos, visando contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de tratamento. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo. A pergunta norteadora, baseada na estratégia PICO, foi: “Qual é o mecanismo de ação das toxinas das serpentes dos gêneros Crotalus e Micrurus no sistema nervoso e seus efeitos sistêmicos?”. Foram realizadas buscas nas bases BVS, SciELO, PubMed, EBSCO e Web of Science, entre dezembro de 2023 e maio de 2024, utilizando os descritores: “serpente”, “toxinas”, “toxina”, “sistema nervoso”, “neuro” e “neuromuscular”, combinados com os operadores booleanos AND e OR. Nove artigos publicados entre 2019 e 2024 foram selecionados. A produção científica analisada tem caráter internacional, com destaque para a Austrália (22,2%) e maior concentração de publicações entre 2020 e 2022 (77,8%). Os estudos foram organizados em cinco categorias: (1) α-neurotoxinas; (2) Fasciculinas e γ-neurotoxinas; (3) Ação sistêmica da crotoxina; (4) Efeitos no sistema neuromuscular; (5) Avaliação clínica dos sintomas e classificação dos riscos. As α-neurotoxinas bloqueiam receptores nicotínicos, levando à paralisia flácida; a crotoxina induz inflamação pulmonar bifásica e ativação neurogênica; e as γ-neurotoxinas interferem nos canais de cálcio, inibindo a liberação de neurotransmissores. Também foram identificadas toxinas associadas à dor crônica, como a síndrome de dor regional complexa. As toxinas analisadas, além do impacto fisiopatológico, são ferramentas para estudos em neurotransmissão, plasticidade sináptica e degeneração neuronal. Contudo, a escassez de estudos sobre peçonhas de serpentes brasileiras ainda representa um obstáculo para avanços terapêuticos.