Iara Pereira Ribeiro
, Maria Paula Costa Bertran
In Brazil, thousands of people have given all their savings to homes that will never be theirs. New residential buildings remain uninhabited in essential areas of Brazilian cities. This paper aims to show that the lack of austerity in the analysis of real estate financing has contributed to this scenario. The results of granting credit to people who could not afford it are: (i) contracts breached in impressive amounts and (ii) the recovery of properties given as collateral to banks in massive volumes. This paper was structured on public data on real estate and household indebtedness, the specialized literature on management of construction companies, journalistic data on the breach of financing contracts and judicial decisions. The results indicate that the supply of real estate financing for people who could not fulfill the contracts in the long term counted on at least three kinds of stimulus: high brokerage rates, promises of high returns to investors of real estate companies and the increasing prices of real estate, made possible by the undue credit offer.
No Brasil, milhares de pessoas deram todas as suas economias para casas que nunca serão delas. Novos edifícios residenciais permanecem desabitados em áreas essenciais das cidades. Este artigo pretende mostrar que a falta de austeridade na análise do financiamento imobiliário contribui para este cenário. Os resultados da concessão de crédito a pessoas que jamais poderiam pagar até o final dos contratos são: (i) rescisões (com incorporadoras) e (ii) reintegração de posse de alienação fiduciária (com bancos), em volumes jamais vistos. O artigo foi estruturado em dados públicos sobre endividamento imobiliário e familiar, literatura especializada em gestão de sociedades empresárias de construção civil, dados jornalísticos sobre as resoluções contratuais de financiamento imobiliário e decisões judiciais. Os resultados indicam que o fornecimento de financiamento imobiliário para pessoas que não puderam cumprir os contratos no longo prazo contou com pelo menos três tipos de estímulo: altas taxas de corretagem, promessas de altos retornos para os investidores das empresas do setor de construção civil e a espiral de aumento dos preços dos imóveis, que se alimentava do acesso fácil ao crédito.